Adão José Rezende Pinheiro

Biografia dos Ex-Professores
Adão José Rezende Pinheiro
Ex-professor do Departamento de Tecnologia de Alimentos (DTA/UFV)
Atuação: 1957 – 1998Filho de José Borges Pinheiro e Daura Rezende Pinheiro, Adão José Rezende Pinheiro nasceu em Viçosa, MG, em 25 de maio de 1933. Seu pai, Juca Borges, era alfaiate e proprietário de um sítio localizado na parte alta, à esquerda da Rua Gomes Barbosa até a Rua do Pintinho. Neste sítio/chácara, Juca Borges montou e fez funcionar por algum tempo uma fábrica de farinha de mandioca.
Adão Pinheiro estudou em Viçosa e formou-se em Agronomia na Universidade Rural do Estado de Minas Gerais (UREMG), em 15 de dezembro de 1956. Sua dedicação aos estudos desde o Grupo Escolar e o seu excelente desempenho acadêmico no curso de Agronomia, fizeram com que ele fosse contratado como Instrutor (Professor Auxiliar) da UREMG, tomando posse em 12 de novembro de 1957, sendo lotado no então Departamento de Tecnologia Agrícola. O Professor Adão Pinheiro iniciou suas atividades ensinando conteúdos de processamento de leite e produtos derivados e conservação de alimentos.
A escassez de oportunidades e a precariedade do ensino superior brasileiro, mormente na pesquisa e pós-graduação, levaram a administração da UREMG a procurar parceria nos Estados Unidos da América do Norte. Daí nasce o convênio UREMG/Purdue, o Projeto Purdue. A Universidade Purdue, em West Lafayette, Indiana, era e continua sendo, uma das Top Ten, entre as Universidades Públicas de Pesquisa Americanas. Adão Pinheiro sai de Viçosa para West Lafayette, Indiana, nos Estados Unidos, em janeiro de 1963, com a missão/contrato de aprender inglês e retornar, em quatro anos, com o título de Ph.D. (Philosophy Doctor) em Ciência de Alimentos/Laticínios.
No dia 12 de agosto de 1966, o Professor Adão José Rezende Pinheiro defendeu sua tese de doutoramento (Ph.D.) Inhibitory substances for Pseudomonas fragi produced by Streptococcus diacetilactis and Streptococcus citrovorus. O primeiro Ph.D. em Food Science do Brasil. Após seu retorno do doutorado criou e ministrou as disciplinas microbiologia de leite e derivados e processamento de leite de consumo, além de ensinar em outras disciplinas da área de produtos lácteos. A qualidade do leite, a qualidade microbiológica do leite cru, no Brasil, e principalmente do leite cru produzido na região das matas dos sertões proibidos do leste de Minas Gerais foi o tema de estudos e pesquisas e de pesadelos do Professor Adão Pinheiro por toda sua vida.
Nós agraciados que fomos com sua convivência, como alunos e, depois, o privilégio da convivência como colega docente do DTA, testemunhamos! Não se conversava com o Professor Adão mais do que alguns minutos, e ele afirmava, mas a qualidade do leite… Foi Professor homenageado especial dos formandos da Agronomia (37ª. Turma), de 1968, a turma Berimbau. Na década dos anos de 1970, o Prof. Adão Pinheiro afastou-se de Viçosa e foi morar na cidade do Rio de Janeiro. Em regime de 20 horas semanais na UREMG/UFV, ele aceitou o cargo de Diretor de Desenvolvimento de Novos Produtos da Cooperativa Central dos Produtores de Leite do Estado do Rio de Janeiro (CCPL).
Em contrapartida, a CCPL contribuiu para a UFV e o DTA na montagem e no funcionamento de sua Indústria Piloto de Laticínios, que, por mais de quatro décadas, funcionou no Edifício Professor Beck Andersen. A CCPL também recebeu, por vários anos, estudantes da UREMG/UFV, para aulas práticas em sua indústria de laticínios, no Bairro Benfica, Rio de Janeiro, RJ. O Professor Adão Pinheiro tinha verdadeira adoração em ministrar aulas práticas de tecnologia de laticínios numa indústria funcionando comercialmente. Por esta razão sempre procurava oferecer aulas nesse ambiente. A Indústria Piloto de Laticínios do DTA/UFV é o berço do Doce de Leite Viçosa e de outros Produtos Viçosa do Laticínios Escola da Fundação Arthur Bernardes (FUNARBE).
O iogurte líquido com sabor de frutas, polpa de frutas, sobretudo, frutas tropicais (mamão, abacaxi, maracujá, goiaba…), é uma contribuição do Professor Adão Pinheiro. A inibição da cristalização da lactose no doce de leite é também uma contribuição do Professor Adão Pinheiro. Contribuiu ainda de forma importante e destacada na microbiologia do leite, pesquisando e identificando espécies de bactérias, culturas láticas, dos queijos artesanais de diferentes regiões do Estado de Minas Gerais. Infelizmente, a qualidade microbiológica do leite cru, em muitas regiões do Brasil, do Estado de Minas Gerais, incluindo Viçosa e microrregião, continua um desafio para o produtor de leite e para a indústria de laticínios.
Os experimentos do Professor Adão Pinheiro tinham uma característica peculiar. É que ele não acreditava em amostragem, em princípios da experimentação. As unidades experimentais de seus experimentos eram com, no mínimo 100, 500 a 1000 L de leite. Isto, claro, sempre foi motivo de discussões e desentendimentos entre o pesquisador e o gestor de recursos do DTA e da UFV. Aliás, diga-se de passagem, a discussão entre pesquisador e gestor de recursos é universal e tem a idade dos albores da atividade humana de pesquisa. O Professor Adão Pinheiro foi Orientador de Mestrado e de Doutorado em Ciência e Tecnologia de Alimentos e em Microbiologia Agrícola (Alimentos) na UFV.
Foi assessor do Secretário Dr. Roberto Resende na Secretaria de Estado da Agricultura de Minas Gerais, durante um período. O Professor Adão Pinheiro não se interessou por funções administrativas na UFV, entretanto, contribuiu de forma decisiva para a qualificação do seu quadro docente, quando participou das negociações e na estruturação e assinatura do convênio com o MEC (Ministério da Educação) e como coordenador do PEAS (Programa de Ensino Agrícola Superior) na década dos anos 1970. O PEAS pode ser considerado um precursor da CAPES (A Coordenação de Aperfeiçoamento do Pessoal Docente), “embora seja a CAPES criada em 1951”.
No período em que o Professor Adão Pinheiro coordenou o PEAS, mais de setenta docentes da UFV foram contratados e mandados para os Estados Unidos da América do Norte, para realizarem seus doutoramentos, com sucesso inquestionável, em Universidades como a Michigan State, em East Lansing, Michigan. Muito poucos, menos de uma dezena retornou sem o doutorado. O que é mais importante, a grande maioria desses docentes permaneceu em Viçosa, após retorno ao Brasil. Pode-se afirmar que neste período a UFV, de fato, teve consolidadas suas bases para o Ensino e para a Pesquisa na Graduação e na Pós-Graduação e para a Extensão. Órgãos como o Instituto BIOAGRO, foram criados após o retorno desses professores.
Importantes laboratórios de ensino e de pesquisa foram construídos e equipados neste período na Tecnologia de Alimentos, na Zootecnia, na Engenharia Agrícola, na Engenharia Florestal, na Microbiologia e na Biologia, dentre outros.
Associando-se ao legado do Professor Alfred Beck Andersen (1933 a 1965, na ESAV e UREMG), aposentado em 1965, e ao de outros laticinistas dinamarqueses da UREMG, o Professor Adão José Rezende Pinheiro foi fundamental nas discussões e decisões que resultaram na criação e na implantação dos Cursos de Tecnólogo em Laticínios (curso superior de curta duração, depois transformado no Bacharelado em Ciência e Tecnologia de Laticínios), Engenharia de Alimentos (inicialmente como Engenharia e Tecnologia de Alimentos) e o Mestrado em Ciência e Tecnologia de Alimentos, na UFV, com início efetivo de funcionamento no primeiro semestre de 1975. O mestrado iniciou antes, no segundo semestre de 1974, por meio de um convênio UFV/UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
Adão José Rezende Pinheiro aposentou-se como Professor Titular do DTA/UFV em 23 de novembro de 1998. O sucesso de Adão Pinheiro nos estudos e na docência incentivou seus irmãos. Rubens Vicente Rezende Pinheiro formou-se em Agronomia na UREMG e foi um destacado Professor de Fruticultura da UFV. José Borges Pinheiro Filho formou-se Engenheiro-Agrônomo na UFV, realizando Mestrado e Doutorado na Universidade Purdue, aposentando-se como Professor do Departamento de Engenharia Agrícola. Lélia Rezende Pinheiro também formou em Agronomia na UFV, sendo contratada como docente, lotada no DTA. Lélia iniciou suas atividades docentes ensinando em disciplinas de Tecnologia de Alimentos e tinha o objetivo de especializar-se em Análise Sensorial.
Já fluente em inglês, Lélia foi para a Universidade da Califórnia, em Davis (UCD), EUA, para realizar o doutorado na área de análise sensorial. Ressalta-se que Davis era e continua sendo um dos melhores locais nos EUA para se especializar nesta área. Um dos ícones mundiais da análise sensorial científica de alimentos, a Professora Rose Mary Pangborn, era da UCD. Infelizmente, por razões de doença, a Profa. Lélia precisou retornar ao Brasil sem concluir sequer o mestrado e aposentou-se, precocemente. O Professor Adão José Rezende Pinheiro faleceu em Viçosa, MG, onde residia, no dia 01 de setembro de 2011, portanto, aos 78 anos.